Homilia do XXIV Domingo do Tempo comum – B 16/09/2018

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Estimados irmãos e irmãs, estamos celebrando com toda a Igreja de Nosso Senhor Jesus Cristo, a liturgia do XXIV Domingo do tempo ordinário da Igreja, também conhecido como tempo comum. Nós estamos reunidos nesta assembléia dominical para proclamar a nossa fé na Ressurreição e na vida. Nossa fé em Jesus vencedor da morte. Ele que triunfa na presença do Pai, o vivente vencedor da morte está no meio de nós. Nenhuma angústia, sentimento de medo pode apagar o seu amor e a sua ternura para com cada um de nós e para com toda a humanidade, ao passo que, a nossa humanidade se deixa redimir e tocar pela sua presença.

Na primeira leitura (Is 50, 5-9a), hoje, tirada da Profecia de Isaías, encontramos uma referência profunda ao Servo de Javé (Servo Sofredor). Ele se oferece por amor ao Pai, em uma plena atitude de liberdade, em expiação dos pecados do seu povo. Ele não se esconde, não foge das perseguições, da dor e da morte, mas acreditando em Deus, oferece a sua vida livremente como Dom e como oferenda de louvor. Ele tem os ouvidos abertos pelo Senhor, a capacidade de se deixar conduzir por seu Deus. Ele oferece as costas para que lhe batam, a sua face para que lhe arranquem a barba, não se esconde de bofetões e cusparadas. Meus irmãos, eis o homem Jesus, prefigurado pelo Profeta no contexto do Antigo Testamento. Ele, o Servo de Javé é capaz de oferecer a sua dignidade em resgate do povo que Deus lhe confiou. O Servo de Javé deve ser compreendido no alcance da liberdade e da confiança pacificadora. Ele não deixa seu ânimo se abater, conserva o seu rosto impassível como pedra, confiando em Deus, logo, sabe que não será ou não permanecerá humilhado (Cf. Is 50, 7). O Deus do Servo sofredor é aquele que toma partido pelo ser humano, que justifica-nos, também a nós, pela sua graça e misericórdia. O Servo de Javé se coloca diante do adversário com plena confiança de que Deus tomou sua causa para si. (Cf. 50, 9a).

O Salmo responsorial nos convida a uma atitude de confiança. O louvor que o salmista canta provém da iniciativa de um Deus amoroso que acompanha a vida do ser humano, conquanto, também de cada um de nós que temos o consolo da fé. Ele ouve os clamores das nossas orações, tem seu ouvido próximo aos nossos clamores. Deus age estabelecendo a libertação e a justificação do coração dos homens e das mulheres. É o Senhor quem defende os humildes, enxugou dos nossos o pranto, por isso andaremos na presença dEle na terra dos vivos (Cf. Sl114). Temos diante de nós um salmo-convite de encorajamento, de confiança em um Deus que não descansa de nos perdoar, nos amando profundamente e nos acolhendo como amigos. Não percamos a confiança em Deus. Ele deseja alcançar os nossos passos, a nossa história para livrar os nossos pés de todo e qualquer tropeço, toda e qualquer adversidade.

Na Segunda Leitura da Carta de Tiago (Tg 2, 14-18) rezamos que a fé que não se traduz em obras é morta por si só. Somos convidados a encarnar a prática do evangelho da vida na nossa vida cotidiana. A fé clama por atitudes que a encarnem na vida das pessoas. A fé é capaz de dar um sentido autêntico e verdadeiro à nossa vida, no entanto, ele nos aponta uma realidade concreta, carente de sinais de salvação, principalmente hoje. O nosso apostolado, anúncio de Jesus e de seu reino deve pressupor atitudes mais concretas de compromisso e de fraternidade. É necessário que a Comunidade se coloque à disposição para a partilha concreta dos bens que estabelecem a vida para o corpo. Não podemos nos deixar cair em um dualismo estéril (alimentar a alma e esquecer o corpo). Tal dualismo é incapaz de comunicar vida, afastando a fé professada da vida vivida. Jesus quer que vivamos plenamente nossas vidas, o nosso corpo é tempo do Espírito Santo. “‘Tu tens a fé e eu tenho a prática! ’ Tu, mostras-me a tua fé sem as obras, que eu te mostrarei a minha fé pelas obras” (Cf. Tg 2, 18).

O Evangelho de hoje (Mc 8, 27-35) está no alcance da interrogativa de Jesus: “ Quem dizem os homens que eu sou?” O nome do Filho de Deus, atualmente, é deveras pronunciado por diversas pessoas, em diferentes confissões religiosas ou até não-religiosas. Quando menos esperamos escutamos pessoas falando dEle nos meios de comunicação, nas ruas e praças, em casa. Vários programas de Rádio e TV procuram falar de Jesus. No entanto, como cristãos, nós somos chamados a um encontro pessoal com o Senhor Jesus e também a responder no coração e com os nossos atos e vida a essa fundamental pergunta. Não basta falar de Jesus, é necessário testemunhá-lo. Não basta expressar quem é Jesus com os lábios, mas procurar através da vida transparecer o amor dEle. Lembremo-nos da segunda leitura, a fé sem obras é morta, i.e, a autenticidade da nossa fé está na autenticidade daquilo que realizamos, que é conseqüência das nossas opções, do que somos na comunidade.

Estamos muito acostumados a testemunhar um Jesus milagreiro, grande economista ou administrador que vai resolver todos os problemas do mundo. Jesus é muito maior do que tudo isso. Se Jesus fizesse a mesma pergunta agora, no pé do nosso ouvido, será que diante das nossas respostas, Jesus diria o mesmo que outrora disse a Pedro? “Afasta-te de mim, Satanás. Tu pensas a partir das coisas humanas e não das coisas de Deus” (Cf. Mc 8, 33). Eis o grande desafio que temos diante de nós, o de assumir, no hoje da história, o de revelar o autêntico rosto de Jesus, tanto por palavras, quanto por nossas atitudes pessoais e comunitárias. É Ele o Servo sofredor, verdadeiro discípulo do Pai. É Ele o vencedor de toda discórdia, adversidade, que são os instrumentos de Satanás, o grande adversário a nos desafiar. Jesus alcança todas as nossas realidades, Ele é a presença amorosa de Deus, Boa nova de Salvação.

Portanto, Jesus é o Messias autêntico, presença da Salvação de Deus no meio dos pobres. Ele traz em si a proposta da partilha, do amor e da misericórdia. O verdadeiro rosto de Jesus, que temos de testemunhar, hoje, é o do servo de Deus que se coloca a serviço dos pobres, dos abandonados e dos aniquilados da nossa sociedade em primeiro lugar.

Por Fr. Elisvaldo Vieira dos Santos, CSsR.

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